Respeite as suas marcas de guerra


Achei que eu tinha lido em algum lugar, mas a verdade é que eu ouvi essa expressão: “marcas de guerra” em um filme, que me fez refletir sobre coisas importantes, das quais tomei a liberdade de compartilhar com você.


No filme, vendo que o irmão tinha ficado chateado porque o avião de papel dele caiu e rasgou em várias partes, a menina falou o seguinte: “não se preocupe, essas são as marcas de guerra dele.”


Apenas uma mudança de palavras que fez toda a diferença na percepção do menino, frente a um fato que poderia continuar sendo triste, principalmente, para esse menino que já era triste devido as marcas físicas e emocionais que carregava.

Isso me fez refletir e concluir que é a forma com que encaramos as coisas que nos acontecem, ou seja, as nossas reações a elas, que determinam praticamente tudo: o nosso humor, as nossas lembranças - que podem se tornar crenças limitantes, traumas ou impulsos, os nossos pensamentos, atitudes e até o nosso jeito de ser.

Voltando às marcas de guerra, fiquei pensando, depois do filme, sobre o que seriam essas marcas, no caso de uma pessoa e não de um avião de papel.


Todos nós temos as nossas marcas, mesmo que não sejam visíveis, que vamos levando ao longo da vida. Porém, o peso e as sensações que elas causam dependem da forma como as encaramos.


Mas na prática, o que são marcas de guerra?


São experiências pelas quais passamos que marcam o nosso caminho, positivamente ou negativamente. Sei que as experiências negativas são sempre aprendizados, mas não podemos ignorar o fato de que elas doem! Doem intensamente e, às vezes, por muito tempo!


Alguns exemplos grandes do que seriam “marcas de guerra” para uma pessoa: a perda de um familiar ou amigo próximo; uma separação inesperada ou esperada; a depressão; um problema de saúde; violência física, moral ou verbal; entre tantas outras coisas.


Mas existem coisas do dia a dia, que parecem inofensivas e, por isso, menos graves, que também deixam marcas profundas. Uma atitude ou uma palavra negativa, um e-mail mal interpretado, um perdão que não foi dado, um cansaço que virou mal-estar generalizado.


Enfim, não quero parecer com os Titãs cantando O Pulso, falando somente sobre coisas ruins, mas são fatos da vida pelos quais quase todo mundo passa. O que importa é o jeito que você vai reagir a eles.

Essas marcas de guerra fazem parte da sua história e tornam a sua trajetória mais rica e interessante. Afinal, o que seriam das grandes histórias se não existissem os conflitos e desafios? Simplesmente, não seriam contadas.

Mas e as coisas boas podem se tornar marcas de guerra?

Acredito que sim. As grandes conquistas, aquela meta que você conseguiu bater, o retorno à academia, essa sua mania de sorrir para tudo.


Essas coisas podem parecer detalhes ou de menor importância, mas não conheço desafio maior do que inserir um hábito na vida, por exemplo.


Então, nesse caso, quando você voltou a fazer exercícios, foi um grande passo, uma marca de guerra que te mostra que você consegue, mesmo com todos os motivos para continuar na inércia. Uma atitude como essa te dá subsídios mentais para outros desafios que aparecerem para você.


Então, aquele pensamento: “Eu consigo porque eu já consegui da outra vez” é uma marca de guerra porque está registrado em você e te ajudará em muitos momentos da vida.


Vamos cuidar para não julgarmos as marcas de guerra do outro?


“Ela é separada” (acredite, isso ainda é um preconceito!), “ele já foi preso”, “ela tem de tudo e é infeliz” (talvez, pela depressão ou por esse tudo não ser o que ela quer realmente) são apenas alguns exemplos de julgamentos que podem acabar com o poder de reação das pessoas. Cuidado!


No meu caso, tenho marcas de guerra que a ansiedade insiste em deixar nas minhas mãos, literalmente. Por muito tempo, roí as unhas e hoje só como a pele. É aquela velha luta contra a ansiedade, da qual já falei aqui.


Quanto às marcas internas, também as tenho e, felizmente, estou conseguindo ressignificá-las. Já tive uma separação inesperada e me vi completamente sozinha (em outro país), decepções com “grandes” “amigos”, já me senti a última das pessoas por ter repetido de ano no colégio, já me senti completamente perdida profissionalmente, já tantas coisas, mas que hoje são as minhas marcas de guerra e fazem parte da minha história de vida, que não devem ser apagadas.

A infância é uma das fases da vida em que mais adquirimos essas marcas, por vezes físicas ou somente emocionais. Mas o importante é que sempre temos a possibilidade de cuidar delas e tratá-las com toda a atenção que merecem. Não importa de quem é a “culpa”, essas marcas estão em você e é só você que tem a oportunidade de olhar para elas e tratá-las para que a sua vida consiga evoluir.

Marcas de guerra devem ser respeitadas, acima de tudo. Não compare as suas marcas com as dos outros. Uma coisa bem importante: não é porque existem marcas mais graves e dolorosas, que as suas não são importantes, certo?


Todas as dores importam, são as suas experiências, são os seus sentimentos, por isso, não ignore-as somente porque tem gente que passou por coisa bem pior, combinado?


Reconheça, respeite essas marcas e tente interpretá-las de uma forma positiva para seguir adiante na sua vida. Não deixe que uma marca comprometa o seu presente e todo o seu futuro. Por exemplo, não é porque você teve uma separação conturbada ou inesperada, que você não pode mais ser feliz. O sonho tem que continuar, mesmo mudando os “personagens”.


A sua história é linda e importante, valorize cada marquinha, cada passo, cada superação!

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